Quem sou eu

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“Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando..." (Clarice Lispector)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010



Sou um turbilhão de emoções,
Ideias,
Opiniões,
Sentimentos,
Sensações,
Gritos,
Silêncio,
Ausência,
Presenças,
Verdades,
Enganos,
Liberdade,
Censura,
Luz,
Agitos e calmarias
Só não sou, nem por um segundo,
Vazia de qualquer coisa

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Oração

Pai nosso, que estais no céu
Peço fé,
Para que eu consiga seguir sempre em frente.
Saúde,
Para que eu suporte os tão pesados fardos da vida.
Paz interior,
Para que eu tenha clareza no meu caminhar.
Proteção à minha família,
Para que nós permaneçamos unidos.
Luz,
Para que eu possa também iluminar a outras pessoas.
Segurança,
Para que eu não fraqueje na realização das minhas missões.
Força,
Para que eu não desista nos próximos obstáculos.
Paixão,
Para que eu tenha motivação na vida.
Humildade,
Para que eu possa reconhecer as minhas infinitas imperfeições.
E coragem,
Para que eu possa também superá-las.
Peço pureza,
Para que eu sempre sinta a verdade.
Sensibilidade e atitude,
Para que eu não me cale diante das injustiças.
Amor, para que eu consiga viver.
E não me deixeis cair em tentação, mas livrai-me de todo o mal.

Esta é uma oração que se restringe a pedidos.
Queria desculpar-me por isso, mas estaria apenas acrescentado mais um pedido à minha já grande lista. Por isso, limito-me a agradecer. Por tudo.

Obrigada, Pai, meu Pai do céu
Eu quase me esqueci
Que o seu amor zela por mim
Que seja feito assim.




   Este texto já foi escrito há bastante tempo, e estava guardado no meu pequeno acervo. Mas hoje me sinto na obrigação de homenagear Santa Luzia de alguma forma. Ela, que me ajudou tanto e segue sempre junto a mim. Obrigada, Nossa Senhora.
   Os descrentes que me perdoem, mas eu tenho muita fé. Em Deus, em mim e na vida.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Fim de Mim

Esfacelada pela tristeza,
Enrosco- me em torno de mim.
Fecho os olhos.
É difícil respirar.
Viver se torna um sacrifício.
A vida sempre foi um desafio,
Mas agora, é difícil respirar.
Meu corpo está inerte
Preso
Pausado
Trancado
Só o que se move são as palavras.
O pensamento não pára nunca.
Nunca
O fluxo das ideias é intenso e crescente.
Fico tonta
Confusa
Desnorteada
E então, surto.
Grito
Mas não encontro minha voz.
Choro
Mas as lágrimas não afloram.
Está mais difícil respirar.
Estou imóvel
Pesada
Calada
Fechada
Arruinada
Arrasada
Desgraçada
Despedaçada
Destruída
Fraca
Triste
...
Parei de pensar.
Me faltam as palavras.
Não consigo respirar.
De mim, não resta mais nada.


sábado, 27 de novembro de 2010

Os meus, os seus, os nossos

         O tempo estava fechado no Rio. Nuvens densas de chuva e trovoadas fortes assustavam a população. Pelo menos, deveriam estar assustando, mas ninguém parecia sequer perceber isso. Qual carioca, no dia 25 de novembro de 2010, reparou no céu? Estavam todos ocupados olhando cautelosamente para os lados, a procura de transeuntes suspeitos ou aglomerações policiais. O clima apenas acompanhou a tensão na cidade, que aumentava a todo momento. A Cidade Maravilhosa estava declaradamente em guerra.
         A imprensa brasileira transmitiu ao vivo cada novo acontecimento daquele dia conturbadíssimo. Tiroteios, veículos incendiados, civis atingidos, criminosos em fuga... Eram cenas nítidas de uma guerra civil.
Da televisão, acompanhei o momento em que os policiais chegaram às comunidades. O sentimento que deveria traduzir este momento deveria ser alívio, mas não foi. A angústia crescia a cada segundo e o medo apoderava-se das pessoas. Polícia militar, BOPE, tanques da marinha, polícia federal, exército... Nada parecia controlar a situação, que se tornava mais e mais caótica. Nas ruas, notava-se claramente os olhares apreensivos e as expressões de pânico. As horas arrastavam-se, e aquele dia histórico de horror, parecia não ter fim.
É apavorante a possibilidade de que alguém amado por mim sofra com essa violência gratuita, explícita, descarada. Porém, ainda mais estarrecedor, é pensar nas mais de 400 mil pessoas que vivem no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro.
Sinto uma tristeza profunda só de imaginar-me no lugar daqueles moradores. E um pouquinho de vergonha também, por reconhecer-me incapaz de encarar essa realidade com a força deles. Há quem diga que é natural para essas pessoas tudo o que está acontecendo, mas eu não acredito nisso. Ninguém se acostuma com o som de tiroteio. Ninguém se acostuma a ir para o trabalho deixando os filhos em casa, em risco. Ninguém se acostuma ao abuso de poder dos policiais. Me desculpem os conformistas, mas eu não acredito que alguém se acostume a viver nas trincheiras dessa guerra aparentemente infinita.
O que me torna diferente daquela gente? O que me faz ser merecedora de viver se não em paz, ao menos com alguma tranquilidade? O que faz de mim especial? Por que a minha vida é tão mais fácil do que a deles? A injustiça óbvia nos fecha a garganta, mareja os olhos e embrulha o estômago.
No fim, todos nós saímos perdendo de alguma forma. E todos vamos seguir com cicatrizes, não só desse dia, mas desta época que estamos vivendo. Só o que posso dizer, é que eu sinto muito. Por mim, pelos meus amores, por você, pelos seus familiares, pelos nossos amigos, pelos moradores daquelas comunidades, pelas tantas pessoas que os amam, pelos profissionais em combate e também pelos criminosos, que acabam sendo vítimas dos próprios atos. Eu sinto muito pelo Rio de Janeiro, a eterna Cidade Maravilhosa, que abriga uma guerra sem vencedores iminentes.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Palco da Vida

"Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo.
E você pode evitar que ela vá à falência.
Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você.
Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões.
Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros.
Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos. Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da  própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples, que mora dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar "eu errei". É ter ousadia para dizer "me perdoe". É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você”. É ter capacidade de dizer "eu te amo". É ter humildade da receptividade.
Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz... E, quando você errar o caminho, recomece, pois assim você descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.
Usar as perdas para refinar a paciência.
Usar as falhas para lapidar o prazer.
Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.

Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário.
Pedras no caminho? Guardo todas... Um dia vou construir um castelo!"

Fernando Pessoa